77% dos europeus concorda com a ligação dos fundos da UE ao Estado de direito

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A maioria dos cidadãos europeus apoia reforço do orçamento da UE para ultrapassar a pandemia. Saúde pública é a prioridade, seguida pela recuperação económica e pelas alterações climáticas.
Num novo estudo encomendado pelo Parlamento Europeu e conduzido no início de outubro de 2020, perto de 8 em cada 10 pessoas (77%) na UE apoiam a proposta de que a União só deve alocar fundos aos Estados-Membros cujos governos nacionais respeitem as diretivas do Estado de direito e dos princípios democráticos. Pelo menos 7 em cada 10 participantes em 26 Estados-Membros concordam com esta afirmação.

Uma maioria absoluta de europeus apela a um maior orçamento da UE para combater a COVID-19

54% dos europeus considera que a UE deveria ter mais meios financeiros ao seu dispor para conseguir ultrapassar as consequências decorrentes da pandemia do novo coronavírus. Em 20 Estados-Membros, uma maioria de participantes concorda com esta afirmação, enquanto em 14 dos Estados-Membros uma maioria absoluta apoia um maior orçamento comunitário.

Quando questionados sobre quais as áreas que deveriam sair beneficiadas pelo aumento do quadro financeiro plurianual, mais de metade dos participantes (54%) afirma que a saúde pública deve ser uma prioridade, seguida pela recuperação económica e novas oportunidades para as empresas (42%), alterações climáticas e proteção ambiental (37%) e emprego e assuntos sociais (35%). Para os inquiridos de 18 países, incluindo Portugal, a saúde pública é a prioridade principal de investimento. Comparativamente ao último inquérito, conduzido em junho de 2020, as alterações climáticas e o ambiente sobem agora ao top três das prioridades ao nível da UE, remetendo o emprego para quarto lugar.

Ampla maioria de cidadãos receia impacto direto na sua situação financeira pessoal

Um indicador chave que revela a importância de tomar as decisões necessárias para um acordo ao nível do plano de recuperação e do quadro financeiro plurianual é a preocupação dos cidadãos europeus com os impactos diretos na sua situação financeira pessoal desde o início da pandemia. Uma ampla maioria de cidadãos teme um impacto direto da pandemia na sua situação financeira pessoal – ou até já o sofreu: 39% dos inquiridos confessam que a crise da COVID-19 já teve impacto direto no seu salário pessoal, enquanto 27% antevê um impacto semelhante no futuro. Apenas 27% dos cidadãos espera que a situação gerada pela COVID-19 não tenha impacto no seu orçamento pessoal. Em 20 países, a maioria dos participantes afirmam que a crise atual já atingiu o seu orçamento pessoal. Em Portugal, 45% dos cidadãos afirma que a crise atual já impactou o seu orçamento pessoal e 31% espera que isso venha a acontecer no futuro. Apenas 15% dos portugueses considera que a crise não terá qualquer impacto na sua situação financeira pessoal.

Cidadãos continuam a ver a UE como parte da solução para esta crise

Dois terços dos participantes (66%) consideram que a UE deva ter mais competências para dar resposta a crises como a provocada pela pandemia do novo coronavírus. A nível nacional, 83% dos portugueses concorda com esta afirmação. A nível europeu, apenas um quarto (25%) discorda desta afirmação. Estes dados são consistentes com os resultados dos dois últimos estudos, conduzidos pelo Parlamento Europeu em abril e junho de 2020, respetivamente.

Nota aos editores

Desde o início da crise pandémica, o Parlamento Europeu encomendou três inquéritos focados na avaliação da opinião pública europeia em tempos de COVID-19. O último inquérito foi conduzido online (e via contacto telefónico em Malta) pela Kantar, entre 25 de setembro e 7 de outubro de 2020, a 24.812 participantes em todos os 27 Estados-Membros. O inquérito foi limitado a cidadãos entre os 16 e os 64 anos (16-54 para a Bulgária, Chéquia, Croácia, Grécia, Hungria, Polónia, Portugal, Roménia, Eslovénia e Eslováquia). A representatividade ao nível nacional é assegurada por quotas de género, idade e região. O total dos resultados europeus é ponderado tendo em conta a dimensão populacional de cada país presente no estudo.

A publicação do relatório completo deste inquérito, incluindo o conjunto de dados completo, está agendada para o início de novembro de 2020.